Role de Biquini 2

rolê do biquini

pelo direito das mulheres à cidade

O medo me poda

Me impede de crescer e florescer

 

O medo me faz companhia

O medo me faz desviar

O medo me faz demorar mais

 

O medo me faz desviar quando vem alguém

O medo me faz demorar pra chegar em casa ao escolher o lugar iluminado e não o mais curto

O medo só não me faz companhia quando tenho companhia

 

Coloca um biquíni e vai moça

Vai uma, vai duas, três, dez, quinze

Assim o medo vai embora

 

Mas será suficiente?

 

Além de um exercício de percepção urbana, o rolê do biquíni é uma experiência feminina, experiência de sororidade e de empatia. Saber colocar-se no lugar do outro é um super poder que está se perdendo, por isso muitas das cidades são desenhadas e apropriadas sem serem seguras às mulheres e, portanto, sem serem seguras a todos. Andar com mulheres nos fez sentir mais respeitadas, empoderadas e fortes, conseguimos andar por espaços que sozinhas não o faríamos.

O Rolê do Biquíni traz a discussão em torno da qualidade dos espaços públicos para as mulheres não motorizadas e reafirma a nossa liberdade de forma simbólica trajando biquínis durante o percurso. Juntamente com o Coletivo Arquitetas Invisíveis e o grupo de pesquisa Periférico da Faculdade de Arquitetura e Urbanismo da Universidade de Brasília, fizemos a nossa primeira caminhada feminista e feminina em maio de 2016. Iniciamos o percurso na Quadra 915 Norte em direção ao calçadão da Asa Norte.

 

Nos moldes do passeio despretensioso sugerido pelo movimento Jane’s Walk (já falamos disso aqui), o objetivo é perceber, com um olhar mais atento e menos viciado, a qualidade dos espaços percorridos pelos pedestres ao longo dos percursos. Mais do que isso, voltamos a atenção especialmente para as experiências de medo vividas pelas mulheres.

 

Passagens de pedestres distantes da parada de ônibus, becos, campos de visão bloqueados por arbustos mal cuidados que podem esconder pessoas má intencionadas, foram algumas das situações. Mas nada se compara a experiência de cruzar uma passagem subterrânea.

 

As intervenções artísticas, atividades ainda condenadas por muitos e portanto muitas vezes feitas escondidas, são provas de que o espaço é abandonado e não tem olhos. Os caminhos de rato, desvios dos pedestres marcados no chão, demonstram que as pessoas fogem da passagem escura. Esse foi o momento da primeira edição que mais marcou as participantes paulistanas que estavam visitando a cidade. Sentir-se sufocada, escondida e indefesa causa estranheza.

Na segunda edição, frente às celebrações do Dia da Mulher em 2017, nos reunimos mais uma vez com grandes mulheres para encontros empoderadores e inspiradores. Participamos de roda de conversa com o Coletivo Feminista da FAU/UnB que também contou com presença das Arquitetas Invisíveis e Entre Ateliê, além das Arquitetas Invisíveis e com a Coletiva Amorço.

A consciência é o primeiro passo para a ação. Conhecer trabalhos e projetos que potencializam a sororidade e dão espaço para a discussão feminista é imprescindível para começar a mudar a cultura do estupro e o pensamento machista arraigado em muitos.

 

Da conversa devemos partir pra prática, porque a luta é todo dia. Para praticar a luta, dessa vez botamos a mão na massa e deixamos à vista nosso poder. As meninas do Amorço levaram técnicas e dicas para fazer lambes feministas e enriquecer o espaço urbano com frases de apoio e coragem. Escolhemos a passagem subterrânea onde havia acontecido recentemente um caso de violência sexual como morada de nossos protestos escritos. A passagem na altura da 105/106 sul foi banhada por palavras de apoio às mulheres que por ali passam.

Na terceira edição, em 2018, após uma roda de conversas, fizemos uma faixa de pedestres para colocarmos de forma simbólica no Eixo Rodoviário de Brasília, o famoso Eixão. A via mais importante da cidade não é uma via, é uma rodovia, que corta o Plano Piloto de Norte a Sul com travessias para pedestres apenas subterrâneas. São 14 quilômetros de via sem possibilidade de travessia em nível. Com certeza essa cidade não foi pensada para os pedestres, muito menos para as mulheres. 

 

A importância de se planejar cidades com enfoque na mulher é planejar cidades seguras para qualquer pessoa. O olhar atento às minorias, a sensibilidade e empatia são fundamentais para qualquer bom planejamento de cidade.

 

Juntas somos mais!

Coloca um biquíni e vai moça.

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