A RUA DO JOVEM NO VARJÃO

Projeto de intervenções urbanísticas e culturais no Varjão por meio de processo participativo   

Projeto de Natália Magaldi

O Varjão do Torto, em Brasília, é caracterizado pela grande concentração de crianças e jovens, os quais possuem o hábito de permanecer nas ruas durante os dias. Esses jovens são vítimas da falta de espaços públicos interessantes e da falta de atividades destinadas a eles. Segundo a Pesquisa Distrital por Amostra de Domicílios Distrito Federal - PDAD/DF 2013, realizado pela Companhia de Desenvolvimento do Distrito Federal - CODEPLAN, naquele ano o Varjão contava com cerca de 9.200 habitantes, sendo que mais da metade da população (50,89%) era constituída por crianças e jovens de 0 a 24 anos de idade. De outro lado, no que se refere aos aspectos turísticos da região, observou-se que dos 94,47% dos domicílios pesquisados, os moradores declararam que não existe atrativo turístico na região. Em razão disso, não é difícil encontrar inúmeras pessoas, dentre as quais muitos jovens, passeando pelo bairro ou sentadas em bares. Além disso, por diversas vezes, os jovens se queixaram do número grande de atropelamentos em função da velocidade que os carros transitam.

 

 

 

 

Dito isso, este projeto buscou promover uma requalificação dos espaços públicos do Varjão, de forma mais detalhada na Avenida Principal, Praça Central e Área de Múltiplos Usos e definindo diretrizes gerais para os demais espaços, por meio da participação popular dos jovens.

 

Demonstrou-se o processo da participação dos jovens visando estabelecer uma conexão entre os espaços públicos e o atendimento das necessidades do grupo alvo.  Percebe-se o valor que a população dá ao espaço onde está inserida quando os próprios habitantes participam do seu processo de planejamento e se apropriam futuramente daquele lugar.

 

Agregaram-se metodologias a fim de inserir os jovens no desenvolvimento do projeto. Propôs-se, dentre outros, caminhada com os jovens, elaboração de mapas mentais, inserção de diretrizes por meio de padrões espaciais no mapa do Varjão e confecção de uma maquete coletiva.

 

Durante o processo, com o apoio da Administração Regional do Varjão e a mobilização da comunidade, organizou-se uma rua do lazer, a qual recebeu o nome de a Rua do Jovem, que contou com a parceria do coletivo Rodas da Paz e com participação de diversos membros da comunidade na realização de oficinas e atividades voltadas para os jovens.

 

O projeto, portanto, sugere a intervenção na Avenida Principal, transformando-a em via de mão única, com a criação de um sistema binário com a rua paralela, que também corta a cidade, além de um projeto de uma ciclovia que atenda ao crescente número de habitantes que fazem uso da bicicleta como meio de locomoção. Buscou-se também a delimitação de reentrâncias e curvas em “zig-zags” ao longo da via, a fim de traçar uma estratégia para “acalmar o tráfego” (traffic calming) a partir da necessária redução das velocidades dos veículos. Realizado o desenho da Avenida nesse molde, fez-se possível a criação de jardins de chuva, responsáveis por auxiliar na absorção das águas pluviais, além de criar espaços agradáveis e sombreados ao longo das calçadas.

 

Além disso, ao longo da Avenida Principal, identificaram-se espaços temáticos, nos quais foram propostas pequenas intervenções fazendo-se uso de materiais recicláveis e/ou de fácil acesso, e arte urbana. Assim, criaram-se a Praça do Bosque, o Beco do Rap e a Praça da Mangueira.

 

Por fim, a Rua do Jovem no Varjão hoje faz parte dos eventos Administração Regional do Varjão que tem a intenção dar continuidade em 2016. A proposta inicial é que a cada dois meses, aos Domingos, um trecho da Avenida Principal seja fechado para o trânsito de carros, e uma pequena intervenção ocorra em algum dos espaços públicos, aqui estudados através de oficinas.

Praça central antes
Praça central depois
Praça da escada antes
Praça da escada depois
Praça do bosque antes
Praça do bosque depois

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