Rolê de Biquíni por Brasília

O medo me poda

Me impede de crescer e florescer

 

O medo me faz companhia

O medo me faz desviar

O medo me faz demorar mais

 

O medo me faz desviar quando vem alguém

O medo me faz demorar pra chegar em casa ao escolher o lugar iluminado e não o mais curto

O medo só não me faz companhia quando tenho companhia

 

Coloca um biquíni e vai moça

Vai uma, vai duas, três, dez, quinze

Assim o medo vai embora

 

Mas será suficiente?

 

Juntamente com o grupo Arquitetas Invisíveis e o grupo de pesquisa Periférico da Faculdade de Arquitetura e Urbanismo da Universidade de Brasília, fizemos uma caminhada nesse último sábado (28/05) saindo da quadra 915 norte em direção ao calçadão da Asa Norte. O Rolê do Biquíni traz a discussão em torno da qualidade dos espaços públicos para as mulheres não motorizadas e reafirma a nossa liberdade de trajes na escolha por usar biquínis.

 

Nos moldes do passeio despretensioso sugerido pelo movimento Jane’s Walk (já falamos disso aqui), o objetivo do trajeto foi perceber com um olhar mais atento e menos viciado a qualidade dos espaços percorridos pelos pedestres na travessia sentido oeste-leste do Plano Piloto. Mais do que isso, o olhar atento estava voltado para as experiências de medo vividas pelas mulheres.

 

Cruzar a W3 com passagens de pedestres distantes da parada de ônibus, chegar às quadras 300 passando por um beco, ter a vista bloqueada por arbustos gigantes e não saber se vem alguém ali foram algumas das situações. Mas nada se compara a experiência de cruzar uma passagem subterrânea.

 

As intervenções artísticas, atividades ainda condenadas por muitos e portanto muitas vezes feitas escondidas, são provas de que o espaço é abandonado e não tem olhos. Os caminhos de rato, desvios dos pedestres marcadas no chão, demonstram que as pessoas fogem da passagem escura. Esse foi o momento que mais marcou as participantes paulistanas que estavam de passagem por Brasília. Sentir-se sufocada, escondida e indefesa lhes causou estranheza.

 

Além de um exercício de percepção urbana, o rolê do biquíni foi uma experiência feminina, experiência de sororidade e de empatia. Saber colocar-se no lugar do outro é um super poder que está se perdendo, por isso muitas das cidades são desenhadas e apropriadas sem serem seguras às mulheres e, portanto, sem serem seguras a todos. Andar com mulheres nos fez sentir mais respeitadas, empoderadas e fortes, conseguimos andar por espaços que sozinhas não o faríamos.

 

Juntas somos mais!

Coloca um biquíni e vai moça.

 

 

 

 

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